meu poeta do penhasco…
estive muito tempo ausente, me desculpe
queria mesmo era estar ao seu lado
acontece que me fui tomada de uma cegueira desatinada
não me posso ver o destino, pois minha vista está embaçada
pelo meu infortúnio de não poder enxergar
me tornei prisioneira de minha cegueira
pelo tempo ausente me senti perdida
adormecida em minhas próprias feridas
pois e se a mim não me é permitido ver
de que adianta então insistir em viver?
quando recebi sua carta ainda podia ler
e em pouco tempo não pude nem mais escrever
como vivo sozinha em minha casa-solidão
passei muitos dias a conviver com a frustração
de uns tempos para cá sinto que minha cegueira é resultado de minha depressão
meu eu não conversa mais comigo e portanto me aplicou a punição
como pode a moça d’olhos não ver?
meu querido poeta – meu amor e minha dádiva
estou cá convencendo meu au a me reaprender
espero que seu céu cinzento não escureça seus sentimentos
que não me esqueças pela minha ausência
posto que estou aqui na busca de minha consciência
desde então mergulho num profundo sem fim
na busca de algo que me leve a mim
quando me encontrar, finalmente
poderei ver o mundo normalmente
sei que tuas curvas de palavras se sentem perdidas
sem a minha dança e minha suave acolhida
mas não se assustes com meu impermanente desatino
tu ésminha estrela, meu sonho e meu caminho
pois me ajude a enxergar novamente
aquilo que esqueci de regar diariamente
com todos os anseios de ver o mar…
sua moça d’olhos